O câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil — e também o mais evitável. A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, suas taxas de cura são altíssimas. A má notícia? Ainda enfrentamos atrasos no diagnóstico, principalmente quando a lesão surge em regiões visíveis como a cabeça e o pescoço.
Por isso, conhecer os tipos, sinais de alerta e formas de tratamento é um passo essencial. Especialmente se a gente falar da atuação da cirurgia de cabeça e pescoço nesse cenário.
Os três tipos mais comuns de câncer de pele
Embora a expressão “câncer de pele” seja uma só, ela abrange doenças diferentes — cada uma com sua gravidade, comportamento e abordagem:
1. Carcinoma Basocelular (CBC)
É o mais comum, representando cerca de 80% dos casos. Costuma crescer devagar, com baixo risco de metástase, mas pode invadir tecidos profundos se negligenciado.
Geralmente aparece como uma ferida que não cicatriza, uma manchinha avermelhada ou uma lesão perolada e brilhante.
2. Carcinoma Espinocelular (CEC)
Segundo tipo mais frequente (cerca de 15%). Apesar de se desenvolver de forma mais lenta, tem maior risco de se espalhar para linfonodos e órgãos se não tratado a tempo.
Sinais comuns: lesão avermelhada, escamosa, que forma crostas ou sangra — ou, ainda, uma ferida persistente.
3. Melanoma
Menos comum (cerca de 5%), porém o mais agressivo. Pode surgir de uma pinta antiga ou como uma nova lesão escura, com bordas irregulares, cores variadas e crescimento rápido.
A famosa regra do ABCDE (Assimetria, Bordas, Cores, Diâmetro, Evolução) é essencial para reconhecer esse tipo precocemente.
O papel da cirurgia no tratamento: mais do que remover, é reconstruir
Na maioria dos casos, o tratamento padrão é a remoção cirúrgica da lesão com margem de segurança — ou seja, retiramos também um pedaço de pele saudável ao redor para garantir que todas as células cancerígenas foram eliminadas.
Nas áreas de cabeça e pescoço, esse procedimento exige mais que técnica: exige precisão, sensibilidade e visão estética. Afinal, estamos lidando com regiões que concentram estruturas nobres (nervos, músculos, glândulas) e que compõem a identidade facial de cada indivíduo.
Quando a reconstrução se torna parte essencial
Após a remoção da lesão, pode ser necessário um procedimento reconstrutivo. E aqui entram os retalhos, técnicas em que tecidos da própria pessoa (pele, gordura ou até músculo) são usados para cobrir o defeito causado pela cirurgia.
O objetivo? Restaurar função e estética. Porque curar o câncer é vital, mas preservar a qualidade de vida é parte do tratamento.
Quando o câncer vai além da pele
Em situações mais complexas — especialmente em casos avançados — a cirurgia pode se estender para estruturas mais profundas:
- Parotidectomia: quando o tumor atinge a glândula parótida, seja pela lesão primária ou pelo linfonodo.
- Esvaziamento cervical: necessário quando há comprometimento dos linfonodos do pescoço.
- Ressecção óssea: indicada em tumores que invadem os ossos da face ou crânio.
Cada decisão é baseada na extensão da doença e no objetivo de obter a maior chance de cura com o menor impacto funcional e estético possível.
Congelação intraoperatória: segurança em tempo real
Um dos avanços importantes na cirurgia oncológica é o exame de congelação, realizado ainda durante o procedimento. Assim que removemos a lesão, um patologista analisa as margens da peça cirúrgica em tempo real.
Se houver qualquer sinal de câncer na borda do tecido, ampliamos a ressecção na mesma cirurgia. Resultado: menos chances de recidiva e menor necessidade de reoperações.
E quando a cirurgia não basta?
Alguns casos exigem uma abordagem combinada. Entre os tratamentos complementares, estão:
- Radioterapia: para eliminar células residuais ou reduzir tumores inoperáveis.
- Quimioterapia: usada em casos avançados ou metastáticos.
- Imunoterapia: especialmente no melanoma, vem sendo cada vez mais usada, estimulando o próprio sistema imunológico a combater o câncer.
Efeitos e sequelas: o que esperar?
Mesmo com todos os cuidados, a cirurgia para câncer de pele — especialmente no rosto e pescoço — pode deixar marcas físicas e emocionais. Algumas possíveis consequências:
- Alterações na sensibilidade da pele
- Cicatrizes visíveis ou assimetrias
- Impacto funcional (raro, mas possível quando há proximidade de nervos motores)
- Questões psicológicas envolvendo autoestima e imagem corporal
Por isso, o acompanhamento multidisciplinar (psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos) pode ser fundamental.

Prevenir é (ainda) o melhor remédio
Mais de 90% dos casos de câncer de pele estão ligados à exposição solar excessiva. Isso significa que a prevenção está, literalmente, nas suas mãos.
O que fazer:
- Use protetor solar diariamente: FPS 30 ou mais, reaplicado a cada 2 horas.
- Invista em barreiras físicas: chapéus, óculos escuros, roupas com proteção UV.
- Evite o sol entre 10h e 16h: o horário em que a radiação ultravioleta é mais intensa.
- Faça o autoexame da pele: observe pintas novas ou que mudaram de cor, tamanho ou formato.
- Consulte o dermatologista regularmente: especialmente se você tem pele clara, histórico familiar ou muitas pintas.
Conclusão
O câncer de pele pode ser grave, mas também é altamente tratável e, melhor ainda, evitável. Quando atinge áreas como o rosto e o pescoço, exige um olhar atento, uma mão precisa e um coração empático — tudo isso é o que a cirurgia de cabeça e pescoço se propõe a oferecer.
Se algo mudou na sua pele, não espere. Procurar um especialista é o primeiro passo para proteger o que você tem de mais valioso: a sua saúde e a sua vida.
Giovanna Perantoni
