Dra. Giovanna Pernantoni - Cirurgiã de Cabeça e Pescoço
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O que você não sente… pode te matar.

Terça de manhã. Parte da cidade ainda dorme. E eu escrevo — hoje é o Dia Nacional da Saúde. E, como médica, eu poderia muito bem repetir o de sempre:
— Faça exercícios.
— Coma melhor.
— Durma cedo.
— Evite o estresse.

Claro. Tudo isso é necessário. Isso é o básico. E o básico salva. Mas… e o invisível?
Quem cuida do que não sente?

Você já reparou que as doenças mais traiçoeiras são as que chegam sem avisar?
Não coçam.
Não latejam.
Não doem.
Só estão ali…
Quietas.
Vivas.

Sem sintomas.
Esperando.

Quase todos os dias, vejo algo que parte a alma: um diagnóstico que poderia ter sido evitado. Um tumor silencioso. Um nódulo negligenciado. Uma célula que cresceu no escuro — porque ninguém olhou para ela. Porque ninguém sentiu.

O câncer não pede licença.
Ele não dá bom dia.
Não marca horário.
Ele entra. Se instala. Cresce. E, quando você percebe, às vezes… já foi.

É por isso que eu repito, sem cansar: prevenção e diagnóstico precoce salvam vidas!! São atos de amor.
Amor por você. Amor pelos seus. Amor pela vida.

E não, prevenção não é só cortar açúcar e frequentar a academia.
É fazer os exames certos.
Na hora certa.
É escutar o corpo mesmo quando ele está em silêncio.

É parar de fumar. Sim, parar de fumar.
— “Ah, mas é só um cigarrinho de vez em quando…”
Meu amigo, qualquer cigarro é um convite assinado para a tragédia.

E por favor: vacine-se.
Vacina é ciência.
É proteção: sua e coletiva.
É o cuidado de hoje que impede a dor de amanhã.

E tem mais. A tal da pressão alta, o diabetes, o colesterol alto…
Tudo isso caminha quietinho dentro de você.
Sem dar alarde.
Até que um dia, explode.
E cobra — com juros e lágrimas — tudo aquilo que você ignorou.

Às vezes, eu acho que a verdadeira revolução na medicina é essa:
A coragem de cuidar antes de adoecer.
A ousadia de amar a própria vida quando ela ainda parece indestrutível.

Então, neste Dia da Saúde, fica o meu convite: Olhe pra sua saúde de um jeito novo.
Cuide do que você sente.
E, principalmente, do que ainda não sente.

Porque, no final das contas, é o que você não vê que mais precisa da sua atenção.
E pode ser que ainda dê tempo. Pode ser que hoje seja o dia em que tudo muda.

Comece.

Giovanna Perantoni

O que você não sente… pode te matar.