Dra. Giovanna Pernantoni - Cirurgiã de Cabeça e Pescoço
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Quando o suficiente é não operar.

Sábado, a luz entra filtrada pela cortina do quarto e pousa sobre a bancada onde repousam meus livros, alguns artigos e um café que já esfriou. Enquanto espero a paciente de consulta on-line , releio os apontamentos de uma consulta recente. 

Ela me olhou nos olhos e perguntou, baixinho, como quem torce para a resposta ser diferente:

— Doutora, tem algum remédio para sumir com esse nódulo?

Suspirei. Porque há perguntas que não se respondem com uma palavra. Há perguntas que pedem contexto.

Nódulo de tireoide. A palavra assusta mais do que deveria. E, talvez por isso, o desejo de encontrar um comprimido milagroso seja tão comum. Mas a verdade — e eu prefiro sempre oferecê-la — é que NÃO existe esse remédio. Nenhuma cápsula, xarope ou fórmula mágica dissolve um nódulo. Simples assim.

Mas, calma.

Porque a maioria dos nódulos é benigna. Não dói, não cresce, não atrapalha. Só aparece no ultrassom e fica lá, quietinho. E, nesse caso, o melhor tratamento… é não tratar. Acompanhamento é cuidado. E cuidado também é uma forma de agir.

Só indicamos intervenção em situações específicas: quando o nódulo cresce demais, quando começa a incomodar, quando há alteração nos exames… ou quando o incômodo é estético, emocional, íntimo — e o desejo do paciente merece respeito.

E aí, sim, falamos em tratar. Mas tratar não significa, necessariamente, operar.

Nos últimos anos, um novo caminho tem ganhado espaço. Mais leve. Mais preservador. Menos invasivo.

Chama-se RADIOABLAÇÃO. Uma técnica que permite reduzir — às vezes eliminar — nódulos benignos sem cirurgia, sem internação, sem cicatriz visível e com preservação da função da glândula.

É, para muitos, uma resposta elegante à pergunta de sempre: “doutora, preciso mesmo operar?”

A medicina mudou. O bisturi ainda é necessário em muitos casos. Mas não em todos. A ablação nos oferece, hoje, uma escolha possível para quem quer cuidar, mas sem abrir mão do que importa: a estética, a função, a autonomia sobre o próprio corpo.

No fim das contas, o que eu sempre digo aos meus pacientes é o seguinte:

— Não existe um único caminho certo. Existe o caminho certo para você.

E isso… só se descobre com boa orientação, diálogo e confiança.

Ótimos dias e bons cuidados.

Giovanna Perantoni 🧚‍♀️

Quando o suficiente é não operar.