Dra. Giovanna Pernantoni - Cirurgiã de Cabeça e Pescoço
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Nem toda dor tem funeral

Existe um tipo de luto que não tem velório.
Ninguém leva flores.
Ninguém pergunta se você está bem.

Mas ele existe.

É o luto de quem perde alguém sem que esse alguém morra.
É o luto de quem continua no mesmo lugar…
vivendo uma vida diferente.

Porque o luto não é só sobre morte.
É sobre perda.

Perda da rotina.
Perda dos planos.
Perda da história que parecia garantida.
Perda de quem você era quando tudo fazia sentido.

Esse luto é cruel porque acontece em silêncio.
O mundo segue.
As pessoas riem, trabalham, postam fotos, fazem planos.
E você está ali… tentando se reconhecer no espelho.

Pouca gente fala disso.
Talvez porque não saibam nomear.
Talvez porque ninguém ensinou que também se chora o que não morreu.

E, no meio disso tudo, a vida exige força.
Justamente quando você está cansada.

Ser forte quando só queria descansar.
Seguir quando tudo em você pede pausa.
Recomeçar com o coração ainda no chão.

Às vezes, parece que estamos cansando de ser fortes.
Mas a vida tem um paradoxo curioso:
quanto mais força ela exige, mais fortes nos tornamos.

Não por escolha.
Mas por sobrevivência.

Se você vive esse luto invisível, deixe-me dizer algo importante:

Tenha .
Fé não é achar que amanhã tudo estará resolvido.
Fé é continuar andando mesmo sem entender o caminho.

Tenha ação.
Há dias em que levantar da cama já é coragem.
Respirar fundo já é vitória.
Um passo pequeno ainda é passo.

Tenha coragem.
Coragem de seguir.
Coragem de não sentir vergonha.
Você não é responsável pelos erros dos outros.

Coragem de ser feliz de novo.
Mesmo diferente.
Mesmo machucada.
Mesmo sem saber exatamente quem você é agora.

Depois do luto, a gente não volta a ser quem era.
Mas pode se tornar alguém ainda mais inteiro
.

Se hoje doeu, continue.
Se hoje cansou, descanse — mas não desista.
E se hoje você só conseguiu sobreviver, está tudo bem.

A vida ainda está aqui.
E você também.

Giovanna Perantoni

Nem toda dor tem funeral