Quando alguém se olha no espelho e sente que o olhar está mais cansado, pesado ou envelhecido, é comum pensar imediatamente em blefaroplastia.
Afinal, as pálpebras costumam ser uma das primeiras regiões a chamar a atenção quando falamos em envelhecimento facial.
Mas existe algo importante que nem sempre é percebido: nem sempre o que incomoda no olhar está apenas nas pálpebras.
O olhar é formado por um conjunto de estruturas. As pálpebras, as sobrancelhas, a testa, as têmporas e a região das maçãs do rosto participam dessa composição. Com o passar dos anos, todas essas áreas passam por mudanças que podem interferir na aparência e na expressão.
Por isso, quando avalio um paciente que deseja rejuvenescer o olhar, minha primeira preocupação não é identificar qual cirurgia devemos fazer. É entender o que realmente está acontecendo com aquele rosto.
O segredo está em olhar para o conjunto
Imagine uma pessoa que se queixa de excesso de pele nas pálpebras superiores. À primeira vista, a blefaroplastia parece ser a solução mais óbvia.
Mas, durante a avaliação, podemos perceber que parte dessa aparência de peso vem também da posição das sobrancelhas, que desceram ao longo dos anos.
Nesse caso, tratar apenas as pálpebras pode não ser suficiente para alcançar o resultado desejado.
O mesmo acontece com a região inferior dos olhos. Em algumas pessoas, a aparência cansada não está relacionada apenas às bolsas de gordura ou à flacidez da pele. A perda de volume ao redor dos olhos e nas regiões vizinhas também pode contribuir para esse aspecto.
É por isso que cada rosto precisa ser avaliado de maneira individualizada.
Não existe uma receita pronta para rejuvenescer o olhar. Existe um planejamento que considera a anatomia, as características e os desejos de cada paciente.
Quais procedimentos podem fazer parte desse cuidado?
A blefaroplastia é uma das principais ferramentas para o rejuvenescimento das pálpebras, mas não é a única possibilidade.
Dependendo das características de cada paciente, outros procedimentos podem complementar o tratamento.
Blefaroplastia
É a cirurgia indicada para tratar alterações nas pálpebras, como excesso de pele e bolsas de gordura. Quando bem indicada e planejada, pode proporcionar um olhar mais leve e descansado, respeitando as características naturais do paciente.
Elevação das sobrancelhas
Com o envelhecimento, as sobrancelhas podem perder parte de sua sustentação e assumir uma posição mais baixa. Em situações específicas, a elevação pode ajudar a recuperar a harmonia da região e contribuir para um olhar menos pesado.
Microfat e Nanofat
São técnicas que utilizam a própria gordura do paciente, preparada de maneiras diferentes, para aplicações específicas.
O microfat pode ser utilizado para reposição de volume em determinadas regiões. Já o nanofat é uma preparação mais refinada, utilizada com objetivos relacionados à qualidade da pele.
A indicação depende da necessidade de cada paciente e das características da região tratada.
Microagulhamento, peelings e tecnologias a laser
Nem todo rejuvenescimento exige cirurgia.
Em alguns casos, a principal queixa está relacionada à textura, à qualidade, às manchas ou à flacidez da pele. Nesses cenários, tratamentos como microagulhamento, peelings químicos e tecnologias a laser podem fazer parte do planejamento.
Esses recursos podem ser utilizados isoladamente ou associados a outros procedimentos, sempre de acordo com a avaliação individual.
Não é sobre fazer mais. É sobre fazer o que precisa ser feito.
Existe uma ideia equivocada de que um resultado mais completo depende de combinar o maior número possível de procedimentos.
Na minha visão, o caminho é justamente o contrário.
Um bom planejamento começa entendendo o que realmente incomoda o paciente e quais alterações precisam ser tratadas. Às vezes, uma blefaroplastia bem indicada é suficiente. Em outras situações, associar técnicas pode trazer um resultado mais equilibrado.
E há casos em que a melhor escolha é não operar determinada região.
A qualidade de um tratamento não está na quantidade de procedimentos realizados, mas na precisão das escolhas.
É preciso considerar a anatomia, a função das estruturas, a qualidade da pele e, principalmente, aquilo que faz cada pessoa ser reconhecida como ela mesma.
Rejuvenescer sem deixar de ser você
Talvez essa seja a parte mais importante de todo o processo.
O objetivo de um rejuvenescimento bem planejado não deve ser transformar o rosto, padronizar o olhar ou apagar as características que tornam uma pessoa única.
É ajudar o paciente a recuperar uma aparência mais descansada, leve e harmônica, sem perder sua identidade.
Gosto de pensar que um bom resultado é aquele em que as pessoas percebem que você está bem, mas não necessariamente identificam o que foi feito.
Para chegar a esse resultado, a consulta é uma etapa fundamental. É nela que avaliamos as estruturas do rosto, conversamos sobre expectativas, esclarecemos possibilidades e definimos o que realmente faz sentido para cada caso.
Porque o melhor tratamento não é o mais completo no papel. É aquele que respeita o seu rosto e atende às suas necessidades.
Se você sente que seu olhar já não transmite a mesma leveza de antes, talvez valha a pena olhar para essa questão com mais atenção.
O primeiro passo não é escolher uma cirurgia. É encontrar um profissional que saiba avaliar o conjunto, compreender suas expectativas e construir um plano de tratamento pensado para você.
Dra. Giovanna Perantoni
